Zulmira Karla Alves: Uma história de superação e sucesso

Nascida na cidade de Natal, Zulmira Karla Alves vem de família humilde onde a mãe, hoje falecida, foi empregada doméstica e foi criada pela sua avó. Karla passou por uma infância conturbada, além de ser fruto da infidelidade de seu pai sua mãe era moradora da roça e não tinha condições de cuidar dela, foi assim que a mesma ficou aos cuidados de sua avó paterna que, além de ser solteira, tinha dois filhos que criava sozinha, o pai e o tio de Karla e um filho que tinha adotado antes de tomar conta de Zulmira.

Karla passou uma grande dificuldade com seu tio, irmão de seu pai, que a criava juntamente com sua avó, pois o mesmo tinha ciúmes e ficou com raiva da criança. Aos sete anos de idade Karla passou a ter diversas convulsões por consequência do ambiente hostil em que vivia, sempre com brigas ao seu redor. Passou por uma fase de tratamentos psicológicos com psicólogos e médicos por conta deste acontecimento, tomando remédios anticonvulsivos durante muitos anos. Ao crescer Zulmira sofria bullying na escola por ser acima do peso, sempre teve a vida muito difícil.

Tornou-se mãe durante a adolescência, quando aos 14 anos conheceu um rapaz e aos 15 anos teve sua primeira filha, desde então começou a trabalhar como manicure em um salão, sem estudos, tendo que abandonar sua adolescência para conseguir sustentar sua filha. Passou por várias profissões, de manicure à cabelereira até encontrar a área de estética, dois anos depois engravidou de novo de seu filho, de pai diferente que acreditou ser o amor de sua vida e viu que não era bem assim. Sobreviveu aos maus tratos até conseguir se livrar dele, voltou a trabalhar em salões de beleza e precisou deixar seu filho para ser criado pela avó, e sua filha por sua mãe, porque não tinha mais condições financeiras para sustenta-los sozinha.

Anos depois conheceu outra pessoa, este homem que tinha um carinho enorme pelos filhos dela e por este homem Karla se apaixonou e, com ele, teve mais dois filhos. Mudou-se para Brasília onde Karla começou a se desempenhar, trabalhar e conheceu pessoas que trabalhavam com estética, mas de uma forma diferente e precisou ignorar os que queriam a diminuir, começou a fazer doações de alimentos na rua para os que não tinham. Às vezes não tinha o que comer e não deixava de fazer sua doação e costumava receber o dobro ou mais com seu trabalho.

Quando entrou a pandemia a mesma deixou de fazer a doação semanal de alimentos que fazia em frente às escolas e hospitais e ficou apenas com as cestas básicas, que continua fazendo hoje em dia e considera um sentimento gratificante fazer este tipo de trabalho voluntário. Karla nos diz: “Esse mundo, ele dá muitas voltas. Quero que as pessoas entendam e que elas não desistam. Os sonhos podem ser realidade, que o sorriso de hoje pode matar a fome de alguém amanhã. Então que elas não desistam desse segmento”. 

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